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Pancreatite Aguda

O que é a pancreatite aguda?

É uma inflamação brusca do pâncreas causada pela activação das enzimas pancreáticos ainda dentro do próprio órgão com consequente início de digestão do mesmo.

Quais são as principais causas da pancreatite aguda?

As duas causas mais frequentes são a existência de cálculos (“pedras”) na vesícula e/ou vias biliares e também o consumo de álcool em excesso. Os cálculos ao saírem espontaneamente da vesícula podem ficar encravados nas vias biliares produzindo alterações de pressão nos canais pancreáticos o quem leva a lesão do tecido pancreático. O álcool tem um efeito toxico nas células pancreáticas. Há outras causas para a pancreatite aguda, embora mais raras, tais como infecções, alterações metabólicas ( ex: hipertrigliceridémia e hipercalcémia), medicamentos, traumatismos, alterações anatómicas dos canais pancreáticos, Em cerca de 10% dos casos não se identifica a etiologia da situação (pancreatite aguda idiopática).

Quais os principais sintomas?

O principal e mais frequente sintoma é a dor abdominal, intensa, localizada na metade superior do abdómen (dor em cinturão) acompanhada de mal estar, nauseas e vómitos. A ingestão de alimentos agrava geralmente a intensidade da dor. O doente pode também ter outros sintomas acompanhantes como febre, sudação intensa, taquicardia.

Como se diagnostica?

Perante a suspeita clínica, a confirmação do diagnóstico passa pela realização de exames laboratoriais para doseamento dos níveis séricos das enzimas pancreáticas. Esta abordagem analítica pode ser complementada pela avaliação morfológica do pâncreas. O exame escolhido para a abordagem inicial é a ecografia abdominal pois é acessível, económico e permite geralmente uma observação global do órgão bem como o despiste de eventual litíase da vesícula. Para uma observação mais detalhada, com real avaliação do sofrimento pancreático e envolvimento regional tomografia axial computorizada (TAC) é mandatória.

É uma doença grave? Pode-se morrer com pancreatite aguda?

A pancreatite não se manifesta com igual gravidade em todos os doentes. Em 80% dos casos - as formas ligeiras ou moderadas - há inflamação mas não se atingem fases de destruição ou infecção. Embora possam dar grandes queixas curam-se em curto espaço de tempo com recuperação total. Nos restantes 20% - as formas graves - há destruição do órgão (necrose) em percentagem variável. Os tecidos necrosados infectam-se com mais facilidade o que agrava o prognóstico do episódio. À destruição pancreática pode ainda associar-se a falência de outros órgãos (pulmão, coração, rim, coagulação) o que agrava ainda mais o estado do doente. Trata-se de facto de uma situação de grande gravidade, em que o internamento em unidades de cuidado intensivo é recomendado e que podem levar ao óbito. Sabe-se que 2 a 5% de todos os casos de pancreatite aguda são mortais.

Podemos saber antes da crise se a pancreatite vai ser grave?

Não. Não é possível identificar antecipadamente se este ou aquele indivíduo têm características para vir a ter um episódio ligeiro ou grave de pancreatite. Sabendo que 20% dos casos podem ser de extrema gravidade, todos os episódios de pancreatite são encarados, desde o início, com apreensão até o quadro estar bem identificado e avaliado. Para ajudar a experiência clínica, foram elaborados critérios de gravidade (há várias escalas), no sentido de criar dados objectivos de escalonamento da gravidade. Os exames complementares de diagnóstico são determinantes nesta avaliação. Destes, a TAC e a avaliação dos parâmetros inflamatórios têm um papel importante. Há no entanto um factor determinante - a precocidade do diagnóstico com intervenção terapêutica nas formas graves melhora o prognóstico.

Como se trata a pancreatite aguda?

As formas ligeiras requerem apenas um pequeno período de internamento com jejum inicial, administração de soros e analgésicos. Em alguns casos é necessário recorrer à colocação de uma sonda gástrica para aspiração. Nas formas graves o tratamento é complexo, dependendo do grau e do atingimento multiorgânico e requerem como já foi dito internamento em unidades de cuidados intensivos. O tratamento do episódio passa também por resolver a causa da pancreatite aguda. Quando a origem do episódio está na ingestão alcoólica é necessário promover a abstinência alcoólica permanente. Se a etiologia é litiásica, a opção terapêutica é tomada dependendo das características da doença e do doente (CPRE- colangiopancreatografia retrograda endoscópica com esfincterotomia e/ou cirurgia). As etiologias menos frequentes também têm que ser detectadas e solucionadas no sentido de evitar as recidivas. A resolução de algumas complicações (abcessos e pseudo quistos) têm tratamentos cirúrgicos ou endoscópicos específicos a adoptar caso a caso.

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