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Pancreatite Crónica

O que é a pancreatite crónica?

É uma inflamação mantida do pâncreas, que leva à destruição progressiva do órgão, com perda das suas funções principais na digestão e absorção dos alimentos (função exócrina), bem como à incapacidade de produção de insulina (função endócrina). A insulina é uma hormona necessária ao controlo dos níveis de glucose no sangue e a sua falta leva ao aparecimento de diabetes.

Quais são as principais causas da pancreatite crónica?

Em cerca de 70% dos casos o álcool está na base do aparecimento desta doença. Sabe-se hoje que há alterações genéticas que facilitam o aparecimento de algumas formas de pancretite crónica, tornando o órgão mais sensível à actuação de factores lesivos. Há pancreatites hereditárias e pancreatites causadas por doenças metabólicas e formas auto imunes. Nas crianças a causa mais frequente é a fibrose quística, que tem como base alterações genéticas.

Quais são os principais sintomas?

A apresentação desta doença toma aspectos muito variados desde ser quase assintomática nas fases iniciais ou mesmo mais avançadas, progredindo de forma surda, ou ser de imediato muito exuberante nas manifestações. É clássico assinalar três aspectos importantes na sintomatologia - a dor, sintomas relacionados com a digestão e absorção deficiente dos alimentos e as manifestações resultantes do atingimento endócrino.

A dor é de intensidade variável podendo mesmo necessitar de internamento hospitalar. Para além das crises de agudização dolorosa os doentes referem dores ou desconforto abdominal, geralmente na metade superior, mais ou menos contínuo, que ocasionalmente agrava com as refeições. Esta dor é debilitante e leva por vezes à automedicação com analgésicos de forma regular e descontrolada. Com o evoluir da destruição do tecido pancreático instalam-se outras manifestações relacionadas com a deficiente absorção dos alimentos (malabsorção) - emagrecimento e diarreia. A falta de enzimas pancreáticas não permite uma absorção correcta das gorduras o que leva ao aparecimento de diarreia pastosa, brilhante, rica em conteúdo gordo a que se chama esteatorreia. Com o evoluir da doença instala-se a diabetes.

Como se diagnostica?

O diagóstico baseia-se na clínica e confirma-se com exames complementares de diagnóstico. Os mais utilizados são os chamados “métodos de imagem”, desde a simples radiografia simples do abdómen onde se detectam facilmente as calcificações pancreáticas como a ecografia, TAC . Eco endoscopia (ecografia realizada a partir do estomago com um ecógrafo instalado na ponta do endoscópio). Cada um destes exames tem a sua indicação. Existem igualmente provas que ajudam a definir o grau de incapacidade funcional do órgão.

É uma doença grave?

Trata-se, de facto, de uma doença grave. Como evolui nas primeiras fases de forma surda é frequente só ser detectada em estadios mais avançados em que o mau estado geral já está instalado. A diabetes que aparece na sequência da pancreatite crónica é por vezes um pouco mais difícil de controlar que a diabetes não associada a pancreatite. Acrescenta-se ainda que há um risco ligeiramente maior de aparecimento de cancro do pâncreas nos doentes com pancreatite crónica do que na população em geral.

Como se trata a pancreatite crónica?

Como em todas as doenças o tratamento deve ser ajustado de acordo com as manifestações específicas do doente. Há no entanto uma recomendação muito importante para todos os doentes. Abstinência total do álcool em qualquer das suas formas. A injestão de álcool perpetua o processo inflamatório e acelera a evolução da doença mesmo que outros tratamentos sejam feitos.

  • Tratamento da malabsorção: As refeições devem ser ligeiras e mais frequentes o que melhora os sintomas digestivos.

Como o pâncreas não fabrica a quantidade de enzimas necessárias para a digestão e posterior absorção dos alimentos faz-se uma suplementação com enzimas por via oral em doses variáveis e adaptadas a cada caso. As enzimas pancreáticas são comercializadas sob a forma de cápsulas e devem tomar-se durante as refeições, inteiras, para que resistam aos ácidos do estomago e mantenham as suas propriedades digestivas. Utilizam-se igualmente preparados de óleos alimentares que contêm um tipo especial de gordura que não necessita da intervenção das enzimas pancreáticas para ser absorvida e que se administram como complemento da dieta. Por vezes há igualmente necessidade de administração de suplementos vitamínicos.

  • Tratamento da dor abdominal: Os analgésicos são os fármacos mais utilizados.

Há várias classes destes medicamentos que devem ser adaptados ao tipo e intensidade da doença. Por vezes o tratamento com enzimas pancreáticas ajuda igualmente a reduzir as queixas dolorosas. Em algumas situações a dor é de tal forma incapacitante que há necessidade de recorrer a métodos mais invasivos (ex: métodos endoscópicos, bloqueio do plexo celíaco).

  • Tratamento da diabetes: O controlo do nível da glucosa consegue-se com a utilização de medicamentos por via oral ou com a utilização de insulina.
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